Através da Sociologia, estudamos a sociedade. Assim, podemos começar a compreender certos aspectos da vida. Além disso, podemos também entender os variados problemas presentes em nossos dias. Dito isto, vamos, portanto, entender mais sobre a violência simbólica. É um conceito social elaborado pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu. Nessa forma de violência, não se utiliza o campo físico para coagir; ao invés disso, exerce-se um dano moral e psicológico.
Não há democracia efetiva sem um verdadeiro crítico.
Pierre Bourdieu
Para manter a ordem social, o status quo, os grupos sociais que estão no poder usam uma violência mais sutil. Essa violência, por sua vez, passa mais despercebida e, muitas vezes, as pessoas a empregam de maneira indireta. Ela afeta não o corpo, mas a mente. É, assim, como uma praga. Usam, portanto, essa violência para destruir os sonhos, objetivos e metas das pessoas. Fazem com que elas acreditem que não são merecedoras de vitórias, honras, prestígios ou qualquer outra forma de reconhecimento.

Marionetes.
Huxley e a violência simbólica
Um grande exemplo de violência simbólica ocorre no livro de Aldous Huxley, pois ele foi um escritor inglês do século XX. Além disso, ele inclusive já foi indicado no artigo Lista de leitura. Nesse livro, podemos notar, portanto, as diferenças entre castas, as quais são criadas para não discutir, rebelar ou ter senso crítico a respeito de seu lugar no mundo.
E esse é o segredo da felicidade e da virtude: amarmos o que somos obrigados a fazer.
Admirável mundo novo
Nessa sociedade, os bebês já são criados em conformidade às suas castas; assim, os bebês da casta ípsilon, pertencentes às castas mais baixas, são cuidadosamente “treinados” para nunca querer abrir um livro. Para fazer isso, eles deixavam o livro na frente da criança. Toda vez que ela tentava pegar, um som estridente era acionado; esse som assustava a criança e permitia a entrada de um trauma. Consequentemente, esse trauma a levaria a nunca mais tentar abrir um livro na vida.
A violência simbólica é silenciosa. Ela opera com rótulos, esteriótipos e desdém. Isso nutre essa sociedade da aparência e da miséria para muitos. Como diria Aldous Huxley: “As rodas da máquina têm de girar constantemente, mas não podem fazê-lo se não houver quem cuide delas. É preciso que haja homens para cuidar delas. Eles devem ser tão constantes como as rodas nos seus eixos. Devem ser homens sãos de espírito, obedientes e satisfeitos em sua estabilidade”. Para que a roda continue, têm de existir pessoas que a girem, e a violência simbólica cumpre esse requisito com louvor.
Conclusão
Então podemos dizer, pelas palavras de Bourdieu, que a violência simbólica é uma: “[…] violência suave, insensível, invisível a suas próprias vítimas, que se exerce essencialmente pelas vias puramente simbólicas da comunicação e do conhecimento, ou, mais precisamente, do desconhecimento, do reconhecimento ou, em última instância, do sentimento”. É aqui que mora o perigo. Os oprimidos ajudam os opressores. Eles aceitam e acolhem como suas as ideias daqueles que os oprimem. Porém, fazem isso sem saber. Assim, perpetuam a própria miséria. Isso ocorre, em certa medida, pela construção da desigualdade e da exclusão dos dominados, por conta dos agentes específicos, tais como a família, a Igreja, a escola e o Estado. Eles fazem isso ao reproduzir a ordem social. Criam uma moral estrutural que legitima a dominação. Essa moralidade leva o sujeito a se conformar com a realidade.

Corte as cordas!
Por fim, quero deixar uma última frase exposta:
Se o sociólogo tem um papel, provavelmente é mais necessário fornecer armas do que dar lições.
Pierre Bourdieu
Para saber mais sobre a violência simbólica, recomendo o livro de Pierre Bourdieu: O poder simbólico.
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