No meu entender, as pessoas tendem a procurar o caminho mais fácil. Assim, elas buscam o caminho mais sereno possível para tudo na vida. No entanto, se esquecem do principal. De fato, nada é aprendido sem dificuldades. Além disso, nada é assimilado sem dor. Muitas vezes, o caminho mais tranquilo pode custar o dobro. Por outro lado, a estrada mais fácil geralmente não ensina nada, ao contrário do caminho da adversidade.
A vida é uma batalha, diria Sêneca, e essa é a maior verdade que podemos conceber sem precisar pensar bem a respeito. A vida é uma guerra onde vamos digladiando diariamente, vencendo algumas batalhas, perdendo outras. E no final, sendo derrotados, pois ganhar da vida seria ganhar da morte e isso ainda é impossível. Aqui dor e prazer fazem parte do que chamamos de viver.
“O prazer e a dor são consequências, fenômenos concomitantes. O que o homem quer, o que a menor partícula de um organismo vivo quer, é o aumento do poder: é em consequência do esforço em consegui-lo que o prazer e a dor se efetivam; […] E o homem não procura evita-la, pois tem necessidade dela, já que qualquer vitória implica uma resistência vencida”.
Segundo Nietzsche, é por meio do confronto direto com a dor que desenvolvemos a força necessária para enfrentar os desafios futuros. A dor intensa pode ser um catalisador para a superação e o crescimento pessoal. Ao abraçarmos as nossas dificuldades e sofrimentos, conseguimos não apenas entender melhor a nós mesmos, mas também construir resiliência e coragem. As experiências dolorosas, embora desagradáveis, podem nos ensinar valiosas lições sobre a vida, moldando nosso caráter e nos preparando para adversidades futuras. Assim, a dor se transforma em uma aliada, um teste que, se superado, nos impulsiona a novos patamares de realização e autoconhecimento.
A dor e o prazer
Como podemos perceber, a dor e o prazer podem ser considerados lados diferentes da mesma moeda. Schopenhauer já havia traçado um limiar do que seria a vida. Ele acreditava que a vida estaria dividida entre a eterna busca de algo, sofrendo no processo e a decisão de não buscar nada, que levaria ao tédio. Não há escapatória…
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Perceba que desde que nascemos a dor faz parte de nossas vidas. Somos forjados na dor e no sofrimento – por que acha que choramos ao vir para esse mundo? Sofremos ao aprender a engatinhar. Com a dor dos tombos. Sofremos sempre ao tentar aprender coisas novas. Com o primeiro amor, o segundo e outros n amores. Com paixões, frustrações e fracassos; partidas e com a morte de entes queridos.
A vida como professora
Sabendo disso, a vida é a maior professora que qualquer homem pode ter. Aprendemos com a dor, (a punição da fortuna). Porém, a lição só pode ser aprendida por aqueles que a aceitam, o que não é o caso da maioria. Irremediável, eu sei… você diria ser até sádico, mas eu digo reconfortante, pois como aprender se só houvessem vitórias?
Além disso, não haveria possibilidade de avançar sem a ocorrência de erros. Veja, a natureza chegou aonde chegou por tentativa e erro. Nós até temos uma vantagem: aprender com os erros e acertos dos outros. Isso é algo muito útil. No entanto, geralmente aprendemos bem mais com os nossos erros, por os sentirmos na pele.
O maior obstáculo das pessoas consiste em não dar o devido valor aos seus erros e derrotas. Saiba que, apenas com uma análise profunda e a ruminação intensa sobre o fato é que podemos aprender e evitar futuros erros. Saiba que somente com o gosto do fel pode-se aproveitar o doce do mel. Qualquer um que se esconda dos ataques da vida é um covarde sem precedentes. É necessário ter em mente que quem teme o castigo acaba por recebê-lo e quem merece o castigo está sempre à espera dele.
Conclusão
Alguns vão dizer que não podem ou não conseguem ou que é muito difícil, mas Sêneca outra vez tem a resposta para essa indagação:
“Nossa falta de confiança não é resultado da dificuldade. A dificuldade vem da nossa falta de confiança. Não é porque as coisas são difíceis que não ousamos; é porque não ousamos que as coisas são difíceis”.
Por isso, o que não me mata só me fortalece, porque as adversidades criam um homem mais forte. são nelas que podemos nos transformar em pessoas melhores, mais resistentes, que usam o desfavor em seu próprio favor. Portanto, a vida nunca pretendeu ser boa, nem feliz, fomos nós que nos iludimos a esse respeito. Chegou a hora de largarmos esse conto de fadas. Por último devemos aceitar que as coisas não irão ser sempre do jeito que queremos e está tudo bem. Entenda isso e talvez as coisas comecem a dar certo para você.
Aquilo que foi doloroso suportar torna-se agradável depois de suportado; é natural sentir prazer no final do próprio sofrimento.
Sêneca
Reconheça que não pode mudar tudo. Reconheça que não controla nada além de suas próprias ações e será livre. Faça o melhor no que puder e aceite o destino como vier e será feliz.
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