As desigualdades segundo Rousseau

“Na juventude deve-se acumular o saber. Na velhice fazer uso dele.”

Jean-Jacques Rousseau

Jean-Jacques Rousseau foi um importante filósofo, teórico político, escritor e compositor. Considerado por muitos, um dos principais filósofos do Iluminismo e um precursor do Romantismo. Escreveu “Do contrato social” em que disserta sobre o funcionamento de uma sociedade. Ele explora as relações de poder perante o povo. Analisa também a submissão do mesmo perante o governo. E discute o acordo entre eles para o bem maior.

Pintura de uma mulher branca com os seios aparecendo, segurando a bandeira da França, guiando os soldados (civís indignados politicamente) na Guerra.

A Liberdade guiando o povo, óleo sobre tela, de  Eugène Delacroix, 1830

Questões essas que influenciaram diretamente na Revolução Francesa (1789 – 1799). Além disso, outro livro grandiosíssimo foi o Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, onde Rousseau responde acerca das origens das desigualdades e se isso é um direito natural ou não. Embora a obra não tenha causado reboliço na época, ainda assim foi publicada e hoje é considerada como um grande marco.

Para entender as origens dessas desigualdades, na perspectiva de Rousseau, devemos primeiramente entender suas bases. Foi concebido por ele um estado de natureza, um lar dos primeiros homens, mais primitivos. Nessa sociedade, segundo ele, não haviam vícios ou desigualdades perante os homens. Portanto, não poderiam ser bons ou ruins. Eles não sabiam o que era ser bom ou ruim. Não conheciam os pecados dos homens modernos e muito menos tinham a ambição dos mesmos — existia certo amoralismo nessa sociedade.

A sociedade era dividida em bandos organizados, que se ajudavam apenas quando a necessidade batia à porta, acabando-a, partiam novamente para a vivência de forma isolada. Porém, com a evolução dos pensamentos, surgiram novas ideias. Estas ideias poderiam melhorar ainda mais a vida de todos. Era uma noção ainda rudimentar, mas que iria alcançar um ápice em breve.

Aqui, essa noção de insegurança frente aos outros homens gerou a ideia de propriedade privada. Rousseau afirma que essa propriedade é a causa irreversível da desigualdade dos homens. É também o lar de todos os males decorrentes. Em suas palavras:

“O primeiro que, ao cercar um terreno, teve a audácia de dizer isto é meu e encontrou gente bastante simples para acreditar nele foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras e assassinatos, quantas misérias e horrores teria poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas e cobrindo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: “Não escutem a esse impostor! Estarão perdidos se esquecerem que os frutos são de todos e a terra é de ninguém”.

Esse ideal de posses e propriedades, criou nos primitivos uma ideia de acumulação e de orgulho frente aos demais. Esse orgulho foi o responsável pela criação de uma certa superioridade e, assim, deu-se início a conflitos entre os homens.

Jean-Jacques Rousseau com cédulas de dólar no lado esquerdo e um relógio ao lado direito.(@rousseautista) | Twitter

Outro “progresso” foi a noção de família, que fez com que a selvageria fosse domada ou moderada. Criou-se, assim, a fragilidade do homem perante os animais, mas trouxe consigo a força do grupo ante o indivíduo. Essa facilidade de vida em sociedade trouxe também a criação do lazer. Com o passar do tempo, o que era um prazer passou a ser necessidade. Em consequência, novos conflitos surgiram. Fazendo o homem entrar em um ciclo de brigas e miséria — sendo infeliz mais do que feliz. Está feito uma sociedade desigual, segundo Rousseau.

Leia também o resumo do discurso do método de Descartes.

2 comentários sobre “As desigualdades segundo Rousseau

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