Entendendo o Feudalismo: Formação, desenvolvimento e queda do sistema feudal

Castelo feudal, simbolo do feudalismo

Introdução ao Feudalismo

Quando falamos sobre feudalismo, estamos nos referindo a um conjunto de ordem econômica, social e política que, além disso, moldou a estrutura da sociedade na época. O mundo feudal, que ocorreu entre os séculos V a X, só pôde se estabelecer por dois motivos concomitantes: a crise e esfacelamento do império Romano e, de forma igualmente importante, as invasões bárbaras que ameaçaram e transformaram significativamente as terras e populações existentes.

Podemos definir o feudalismo como uma organização baseada, em suma, na posse de terra, chamada de feudo – durante a baixa idade média. Nesse contexto, o feudo constituía uma grande propriedade dotada de organização própria e destinada tanto à produção de alimentos quanto à geração de renda. Como resultado, era controlado pelos senhores feudais, que exerciam amplo domínio sobre as atividades econômicas, sociais e políticas da região.

O Feudo

Dividiram o feudo em três partes:

Castelos da epoca do feudalismo.
  • Manso senhorial: praticamente as terras que moravam os senhores, eram as melhores do feudo;
  • Manso servil: terra onde os servos cultivavam para sua própria sobrevivência.
  • Manso comum: área comum a todos os grupos: pastos, florestas, bosques.

A chamada crise do império romano trouxe consigo vários problemas. Entre eles, destaca-se a diminuição do comércio. Além disso, havia o caráter subsistente da agricultura, o que favoreceu a “ruralização” da população. Por conta das invasões dos bárbaros, as classes de escravos e plebeus do então já falido império vieram a se tornar a mão de obra tão preciosa para os trabalhos nos feudos. Assim, agora, os senhores feudais mandavam nessa força de trabalho. De fato, eram nobres donos de terras. Eles, portanto, eram responsáveis pela administração do feudo. Ademais, cuidavam das taxas, impostos e proteção militar.

O senhor feudal, portanto, detinha poderes plenos dentro de suas terras. Assim, podiam criar leis, tomar decisões jurídicas, formar exércitos e, em certas circunstâncias, até declarar guerras. Em muitos casos, eles podiam até ser mais poderosos que o próprio rei. Por esse motivo, pode-se dizer que o feudalismo, de fato, pode ser considerado um promotor do modelo político descentralizado.

A economia do feudo era predominantemente uma agricultura de subsistência, sendo que o próprio sustento era o seu principal objetivo. Assim, qualquer excedente gerado iria para as mãos do senhor feudal, enquanto, por sua vez, os feudos trocavam os produtos entre si, funcionando praticamente como um escambo. Além disso, embora o artesanato não fosse a atividade principal, ele ainda existia, pois era essencial para a criação de ferramentas e materiais domésticos.

Classes e Divisões no Feudalismo

dividiram a sociedade feudal em três classes sociais:

  • Clero
  • Nobreza
  • Servos

O clero

o clero e o feudalismo

O clero era responsável pela igreja, pela religião e o lado espiritual. Na idade média, a igreja era a instituição mais poderosa da Europa. Ela exercia uma enorme influência no cenário político. Também dominava a economia. Por doações, a igreja se tornou a maior dona de terras da Europa.

A Nobreza

a nobreza no feudalismo

 A nobreza era constituída dos nobres, senhores feudais e pelo rei e sua família, claro que os senhores feudais eram responsáveis pela politica, pela economia e pelo social.

Títulos da Nobreza

Os principais títulos de nobreza representam uma escala que obedece a uma ordem de poder. Os títulos são os seguintes:

  • Duque: depois do rei, o Duque era o nobre mais poderoso, recebendo grandes extensões de terra para administrar (ducados).
  • Marquês: este título é seguinte ao Duque na hierarquia da nobreza. O Marquês governava os marquesados, áreas territoriais concedidas pelo rei.
  • Conde: assessorava o rei em alguns assuntos como as questões de combates militares.
  • Visconde: este título foi criado para os nobres que eram substitutos dos Condes em sua ausência e eram responsáveis por dirigir pequenos territórios, do tamanho de vilas.
  • Barão: o título era uma honraria concedida aos súditos mais fiéis dos reis, geralmente homens ricos. As terras governadas pelos barões eram ainda menores, do tamanho de fazendas ou sítios.

Os Servos

Servos, classe ambundante

Os servos constituíam a maior parte da comunidade, como já dito anteriormente, constituídos de camponeses e escravos do império.

Aliás, essa relação entre nobres e servos era bem abusivo, a exploração rolava solta. Os servos trabalhavam nas terras dos nobres e por causa disso pagavam impostos. Alguns dos impostos eram esses:

  • Corveia: trabalho compulsório nas terras do senhor (manso senhorial) em alguns dias da semana;
  • Talha: parte da produção do servo deveria ser entregue ao nobre, geralmente um terço da produção;
  • Banalidade: tributo cobrado pelo uso de instrumentos ou bens do feudo, como o moinho, o forno, o celeiro, as pontes e estradas;
  • Capitação: imposto pago por cada membro da família (por cabeça);
  • Tostão de Pedro ou dízimo: 10% da produção do servo era pago à Igreja, utilizado para a manutenção da capela local;
  • Censo: tributo que os vilões (pessoas livres, vila) deviam pagar, para a nobreza;
  • Taxa de Justiça: os servos e os vilões deviam pagar para serem julgados no tribunal do nobre;
  • Formariage: quando o nobre resolvia se casar, todo servo era obrigado a pagar uma taxa para ajudar no casamento, regra também válida para quando um parente do nobre iria casar. Todo casamento que ocorresse entre servos deveria ser aceito pelo suserano;
  • Mão Morta: era o pagamento de uma taxa para permanecer no feudo da família servil, em caso do falecimento do pai ou da família;
  • Albergagem: obrigação do servo em hospedar o senhor feudal caso fosse necessário.

Fatos do Feudalismo

Um fato era que não existiam meios para subir de classe social, uma vez nascido em alguma era a classe que pertenceria até o fim de seus dias, o nome disso era estanque. Outra coisa era que as mulheres não tinham qualquer direito na sociedade feudal, nem mesmo poderiam escolher com quem casar.

E tudo isso, juntamente com a ignorância das classes mais baixas, que não tinham acesso à educação, fazia com que as classes sociais mais baixas fossem, de fato, subordinadas às mais altas. Nesse contexto, a fidelidade era servida, sem dúvida, como uma base fundamental entre os nobres e os servos. Assim, os senhores entregavam terras para o cultivo a eles, o que, por sua vez, criava um estado de obediência entre o subordinado, algo que era extremamente benéfico para o nobre senhor feudal.

Algo interessante era que a fidelidade entre nobres era feita por suserania e vassalagem. Isto é, quando houvesse doações por parte de um nobre (suserano) para outro nobre (vassalo), existia uma retribuição de juramento de fidelidade do vassalo para o suserano. O primeiro se comprometia a lutar ao seu lado caso necessário.

Queda do sistema feudal

No século X, o feudalismo atingiu o auge de suas forças, tornando-se vigente em quase todo o solo. O feudalismo permaneceu na Europa até o século XIV, mas o declínio iniciou no século XI. Alguns fatores foram necessários para que o feudalismo desaparecesse por completo, foram eles:

  • O crescimento demográfico, que teve um aumento considerável a partir do século X; o surgimento da burguesia se deve a isso e graças a ela os poderes da nobreza e do clero entraram em crise.
  • A revolução burguesa;
  • A peste negra;
  • As cruzadas
  • Renascimento e iluminismo
  • A guerra dos cem anos
  • A formação das monarquias nacionais.

“A crise apontava também para uma transformação na estrutura de poder descentralizada, que não conseguia gerar resposta para os problemas que surgiam. Os governos centralizados começaram então a ganhar força, pois conseguiam arbitrar os conflitos inevitáveis em uma sociedade que ganhava complexidade”. REYNOLDS, Susan (1996).

Conclusão

Podemos dizer, por fim, que as transformações da baixa idade média e os conflitos condenaram o feudalismo. A explosão demográfica e as cruzadas também contribuíram. O renascimento urbano e cultural, o aparecimento da burguesia e o fortalecimento do poder nas mãos dos reis completaram esse processo. Com a morte do feudalismo outro sistema nasceu: o capitalismo. Aos poucos o capitalismo se tornaria o senhor feudal do mundo nos próximos séculos, mas essa é outra história.

as classes do feudalismo

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