
1- Quem alcança seu ideal, vai além dele.
2- Morrer de sede no mar é terrível. Por que haveis então de salgar a vossa verdade de modo a que não mate já a sede?
3- Em prol da sua boa reputação, quem já não se sacrificou ao menos uma vez?
4- No adestramento de nossa consciência, sentimos que ela nos beija ao mesmo tempo que nos morde.
5- desabafo de um desiludido: “Eu ansiava por um eco e só ouvi elogios”.
6- Ferir a nossa vaidade torna-se difícil justamente quando foi ferido o nosso orgulho.
7- Pretendes conquistar a simpatia de alguém? Finge-te embaraçado diante dele.
8 – Aquele que se alegra na fogueira não triunfa sobre a dor, mas por não sentir dor onde a esperava. Uma parábola.
9- Quando temos de mudar de opinião a respeito de alguém, não lhe perdoamos o incômodo que nos causa por tal atitude.
10 – Aquilo que é feito por amor faz-se sempre para além do bem e do mal.
Esses aforismos foram retirados do livro “Para além do bem e do mal – prelúdio a uma filosofia do futuro“, da editora Martin Claret, tradução de Alex Marins.
Os aforismos de Nietzsche em “Para Além do Bem e do Mal” não são simples frases. São reflexões que nos obrigam a olhar para dentro de nós mesmos. Cada uma delas revela uma crítica à moral tradicional e aos limites da razão humana. Além disso, Nietzsche nos convida a romper com o conforto das certezas. Ele mostra que a verdade, muitas vezes, é amarga, mas necessária. Assim, pensar de forma livre exige coragem e disposição para suportar o peso da lucidez.
Por outro lado, o autor expõe a fragilidade humana diante do orgulho, da vaidade e da necessidade de aprovação. Queremos ser autênticos, mas também aceitos. Desejamos a verdade, mas tememos o que ela pode destruir. Dessa forma, os aforismos revelam o conflito entre o que somos e o que fingimos ser. Nietzsche não busca consolo, e sim despertar. Para ele, viver é superar-se, mesmo que isso doa. Em síntese, o filósofo nos ensina que ir para além do bem e do mal é criar nossos próprios valores. É transformar a dor em força e a dúvida em liberdade. É, enfim, aprender a dançar mesmo diante das chamas.

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