

Aviso: Antes de ler este artigo considere assistir o filme Clube da Luta!
“Eu vejo no clube da luta os homens mais fortes e inteligentes que já viveram. Eu vejo todo esse potencial, desperdiçado. Que droga. Uma geração inteira enchendo tanques de gasolina, servindo mesas ou escravos de colarinho branco. Os anúncios nos fazem comprar carros e roupas. Trabalhar em empregos que odiamos para comprar porcarias que não precisamos. Nós somos os filhos do meio da história, sem propósito ou lugar. Não tivemos Grande Guerra, não tivemos Grande Depressão. Nossa grande guerra é a guerra espiritual, nossa grande depressão é a nossa vida. Fomos criados pela televisão para acreditar que um dia seríamos milionários, Deuses do cinema e estrelas do rock. Mas não seremos. E estamos aos poucos aprendendo isso. E estamos muito, muito revoltados.”
– Tyler Durden, Clube da luta.
ínicio de Clube da Luta
Clube da luta, com toda certeza do mundo, é um marco sobre o vazio enfrentado pelo homem nos finais do século 20 e 21. O personagem principal, sendo nomeado como “narrador” ou “Jack”, faz referência ao homem médio americano. Ele tem uma vida estável, um bom emprego e um bom apartamento. No entanto, não tem nenhum sentido de vida. Jack passa a eleger o consumo como sentido de sua vida. Ele “tem tudo”, moveis caros, utensílios e roupas de marca, mas mesmo assim sofre de insônia, é depressivo e extremamente mórbido.
O que tudo isso tem a ver com o imediatismo? Ora, a cultura do agora, o imediatismo, sendo bem escracho, consiste em querer tudo para o momento e nada que faça esperar vale a pena. O consumo rápido, comidas rápidas, amores rápidos, amizades rápidas. Tudo descartável, como diria o narrador. Uma vida leviana, insidiosa e terrível, mas que não se deixa aparentar como tal. Apenas efeitos colaterais conseguem encontrar a luz da realidade, mostrando a sutilidade do problema.
O imediatista sempre quer tudo para o agora. Nada é desejado para depois. Esse fato explica o sucesso de empresas de encomenda rápida e comidas pré-aquecidas. Outras “facilidades” da vida também se devem a isso. Tendo em suas mãos tudo, passa a não ter nada, paradoxalmente. Onde foi parar o sentido de tudo, onde foi parar os sentimentos de vitória, de felicidade, de força? Sumiram.
A necessidade de se sentir vivo
A necessidade de se sentir vivo é, agora, mais do que tudo, importantíssima. O mundo gira em torno dessa vontade, dessa representação. Jack se sente impotente, não sabe o que fazer, até encontrar Tyler Durden, um homem que fabrica sabonete; um homem com uma visão de mundo totalmente diferente:

– Tyler, até agora você foi o amigo descartável mais interessante que já conheci. Eu penso assim: tudo num avião é descartável, até as pessoas…
– Eu entendi, é inteligente.
– Obrigado.
– Como tem sido isso para você?
– O quê?
– Ser inteligente.
– Ótimo.
– Continue assim, vai fundo.
Ao voltar da viagem e ver seu apartamento em chamas, Jack liga para Tyler. Marcam de se encontrar numa taverna, onde Tyler demonstra toda sua filosofia anarquista e extremamente intolerante quanto ao consumismo.
Uma frase marcante nessa conversa é:
“As coisas que você possui acabam possuindo você.”
Com isso, Jack pede para ficar em sua casa, o que Tyler aceita com uma condição, a de que batesse nele o mais forte que pudesse. Aqui depois da briga, os dois se sentem mais vivos e toda dor psíquica é aliviada com a dor física. O clube da luta começa. O que era uma briga casual entre dois amigos cresce e, com isso, arrematam vários outros homens que não estão felizes com suas vidas, aqueles que se sentem vazios e impotentes perante sua própria natureza.
A dor física
A dor física começa a aniquilar a dor psíquica, claro que isso não resolvia nada “mas nada importava”. O clube da luta era uma tentativa de oprimir o que os oprimia. Uma fuga, um regaço. Ademais, Jack conseguia dormir, não se interessava mais por coisas fúteis, vivia numa mansão caindo aos pedaços, não precisava mais da TV, em suma, era quase que totalmente livre.
Tyler, em um diálogo com Jack, diz: “Somos uma geração de homens criados por mulheres. Fico imaginando se outra mulher é mesmo a resposta que precisamos”. Aqui vemos outro problema com a sociedade do imediatismo, necessitamos de outras pessoas, no caso de homens, de mulheres para nos sentirmos completos e felizes. Fomos criados por mulheres, não tivemos modelos masculinos para nos inspirar. Somos fracos, afeminados, impotentes, depressivos, ansiosos e fastios. Em resumo, somos animais doentes, leprosos esperando a morte.
Tyler aponta os erros na criação do homem moderno. Contudo, penso que sua solução era inviável. Além disso, estava totalmente voltada ao extremismo. No final descobrimos que Tyler nada mais é do que a criação de um álter ego de Jack, que o criou para mudar sua vida porque sozinho não conseguiria. Em suas palavras: “tudo o que você gostaria de ser, sou eu. Pareço como você quer parecer, transo como você quer transar, sou inteligente, capaz e o mais importante, eu sou livre de todas as formas que você não é”.

Grande depressão
Foi necessário explicar isso porque as coisas ficaram piores. Desde 1999 – quando o filme foi lançado – até 2020 a depressão no mundo piorou, a ansiedade, o suicídio, o cansaço da vida, a falta de sentido nunca esteve tão em alta. O homem está mais fraco do que nunca. O feminismo adoeceu os homens, a igualdade os abateu. Nesse cenário, clube da luta nunca fez tanto sentido. Homens se desculpando por serem homens, homens feministas, defensores de “igualdade”; o mundo está do avesso.
O imediatismo nunca esteve em tanta preciosidade quanto hoje. O mundo globalizado acaba diariamente com milhões de vidas, o mundo com o totalitarismo das ideias silencia qualquer um que se contraponha. Não interessa o quanto digam que defendem a liberdade, somente defendem a liberdade deles. Qualquer um que ameace sua dinastia é morto – seja literalmente ou ‘apenas’ morto para a sociedade. Vivemos em uma ditadura e por estarmos em um mar de irrelevância, absortos em nossos pecados não enxergamos isso.
Redes Sociais



Tinder. Facebook. Instagram. Livros de autoajuda. ‘Coachs’. Politicagem. Tudo isso, na verdade, faz parte da cultura do agora, uma cultura que, por sua vez, é superficial e imediatista, promovendo o efêmero em detrimento do duradouro. Como resultado, tudo isso faz com que o cérebro entre em colapso total, visto que cada notificação e clique acaba sobrecarregando um sistema já saturado, o que, consequentemente, resulta em uma constante distração que nos afasta do verdadeiro propósito da vida.
Essas jocosidades, portanto, não são coisas boas; na verdade, são bizarrices da globalização que, embora pareçam fornecer conexões e informações, muitas vezes nos deixam mais isolados e confusos. Além disso, essa míngua traz mais desvantagens do que vantagens, mas, ironicamente, ninguém parece perceber isso, e os que percebem frequentemente são calados, muitas vezes desistindo de lutar contra uma maré avassaladora que valoriza a aparência e o instantâneo, enquanto a profundidade e a reflexão são, na maioria das vezes, relegadas a um segundo plano, esquecidas em meio ao barulho das redes sociais.
Conclusão
A solução para isso é, primeiramente, evitar ao máximo a exposição em qualquer imediatismo. Para tanto, evite usar muito as redes sociais; além disso, evite usar aplicativos de “relacionamento”. Ademais, é prudente evitar ler livros desse século – prefira sempre os antigos e os clássicos. Igualmente, evite ideologias políticas, assim como evitaria colocar uma faca na barriga; acima de tudo, não se envergonhe por ser um homem. Por fim, essas coisas básicas podem melhorar, em muito, o seu bem-estar geral.
Saiba que você não depende de ninguém, a maioria das pessoas não te completam elas te esvaziam. Aproveite a solidão como sua melhor amiga, não ache que pode encontrar a felicidade em outra pessoa, isso não existe. Pense que ninguém pode ser completo, mas entenda que você pode e deve se amar acima de tudo para depois investir em um relacionamento. Evite a libertinagem, o sexo fácil, qualquer coisa que venha a ser rápida em demasia, não deve ser útil.
Entenda que a pornografia é um mal sem igual e que isso afeta diretamente sobre sua autoestima, sua alegria de vida e seu bem-estar. A fim de se libertar de todas essas coisas pútridas as evite, mas aos poucos. Alias viva sua vida, entenda que ela está aqui não para ter um sentido, mas para ser vivida bem e com essas artificialidades não existe um modo único de viver. No final, se libertando dessas mazelas, desse vaudeville dos diabos você possa encontrar pelo o que viver e com isso viver bem. Realmente viver, não apenas sobreviver. Ande vamos lá.
“Aprenda a viver, descanse quando morrer. Tudo que você precisa está dentro de você”.
– Clube da luta.
