
Enfim chegamos ao fim da trilogia de artigos sobre as escolas de pensamento. Nada melhor do que deixar o melhor para o final, onde exploramos as ideias mais impactantes e revolucionárias que moldaram o nosso entendimento contemporâneo. Durante essa jornada, analisamos diversas correntes de pensamento, suas origens, influências e a forma como elas dialogam entre si.

“Todo o conhecimento humano começou com intuições, passou daí aos conceitos e terminou com ideias”.
— Immanuel Kant.
Kant
Immanuel Kant, dono de uma vida extremamente metódica. Não é exagero, pois ele tinha horários rígidos para deitar, dormir, levantar, caminhar e fazer as refeições. Além disso, ele foi o filósofo responsável por abalar as ideias vigentes da época. Em consequência disso, ele introduziu uma nova escola de pensamento – o criticismo. Nesse sentido, Kant passou por três fases em sua vida que ditaram seus pensamentos:
- A primeira foi em sua juventude com as ideias de Leibniz, Christian Wolf e do próprio Newton;
- A segunda foi quando Kant se deixou influenciar pela ética e pela filosofia empírica dos ingleses, sobretudo de David Hume.
- A terceira, quando Kant desenvolveu sua própria filosofia e as bases que a transformariam em um marco histórico e filosófico.
Mas voltando ao assunto do artigo, Kant teve uma ideia interessante. Ele desenvolveu uma filosofia que não negava o racionalismo ou o empirismo. Em vez disso, ele usava ambos para uma melhora. Juntar o melhor dos dois mundos para construir algo, o chamado criticismo. Essa sua filosofia, também chamada de racionalismo crítico, era um sistema. Esse sistema foi criado para procurar e determinar os limites da razão humana.
Formulou então o que foi chamado de revolução copernicana na filosofia. Assim como a terra não era o centro do universo, o homem não era o centro do conhecimento. Formulou também o sistema filosófico kantiano conhecido como “Idealismo Transcendental”.
Objetivos
Disse ele:
“Chamo transcendental todo conhecimento que trata, não tanto dos objetos, como, de modo geral, de nossos conceitos a priori dos objetos”.
Os objetivos principais de Kant eram, primeiramente, conhecer a limitação da razão. Em segundo lugar, ele buscava, além disso, julgar sua legitimidade e seus fundamentos. Por fim, ele queria, portanto, superar a dicotomia entre racionalismo e empirismo. Para ele, o radicalismo nas ideias inflexíveis, consequentemente, tornava ambos errados. De um lado, o empirismo afirmava que tudo vem da experiência. Por outro lado, os racionalistas, como Descartes, sustentavam que tudo vinha de si mesmo. Mas por que não um pouco dos dois? O conhecimento, portanto, deve constar de juízos universais. Além disso, ele também deriva da experiência sensível.
Para Kant, o conhecimento é obtido com base na percepção do que ele chamou de “coisa em si”, que é o objeto. É a chamada intuição que faz todo o processo e é a racionalidade que dá ao homem o conhecimento. Em suma, um pensamento não pode ser explicado com elementos externos ao indivíduo, mas deve ser relacionado com o próprio funcionamento de sua mente.
A priori e A posteriori
Immanuel também divide o conhecimento em “a priori” e “a posteriori”.
A priori é o conhecimento antes da experiência, antes de ser provado; a posteriori é o surgimento da confirmação após a experiência.
Para provar isso, o filósofo explica que o conhecimento é constituído de matéria e forma. O primeiro, sendo nossos conhecimentos, e o segundo, estando relacionado a nós mesmos. Essa relação entre matéria e forma não se limita a uma simples dualidade; ao contrário, revela uma interdependência essencial que realmente molda nossa compreensão do mundo. A matéria, que é representada pelos dados e informações que adquirimos ao longo da vida, serve como a base sólida sobre a qual edificamos nossas ideias.
Por outro lado, a forma, que somos nós, atua como a lente através da qual interpretamos e damos significado a essas informações. Assim, o conhecimento se revela como um processo dinâmico. Nesse processo, interagimos constantemente com a realidade, transformando dados brutos em sabedoria. Como resultado, moldamos não apenas nossa percepção, mas também nossa ação no mundo.
Livros
Kant escreveu três livros que sintetizam sua ideia, são eles:
- “Crítica da Razão Pura”,
- “Crítica da Razão Prática”
- “Crítica do Juízo”.
Conclusão
É interessante ler seus livros para entender a ideia completa que Kant apresenta sobre a moralidade e a razão. Assim, isso ajuda a se por no lugar de Kant, ou pelo menos tentar, permitindo, portanto, uma imersão mais profunda em seus conceitos filosóficos. Além disso, essa abordagem nos possibilita uma reflexão crítica sobre nossa própria perspectiva moral. Somente dessa forma conseguiremos compreender suas ideias complexas e, desse modo, melhorar as nossas.
Por meio do estudo de suas obras, podemos, assim, descobrir como seus pensamentos ainda ressoam na filosofia contemporânea. Futuramente, irei dissertar sobre outra ideia do filósofo – o imperativo categórico, que é fundamental para entender o desenvolvimento de uma ética universal e as implicações que isso, consequentemente, traz para a nossa vida moral.
“Age sempre de tal modo que o teu comportamento possa vir a ser princípio de uma lei universal”.
— Immanuel Kant.
