Entendendo o Empirismo: Da Experiência ao Conhecimento

George Berkeley

Podemos começar dizendo que empirismo nada mais é que uma escola de pensamento que tem como primor explicar a forma como o homem consegue adquirir conhecimento. Essa teoria consiste em afirmar que o conhecimento sobre o mundo vem apenas da experiência sensorial. Em outras palavras, dizer ser empirista é considerar a experiência sensível, como a única válida à garantia do conhecimento de verdade. O empirismo designa sempre uma redução, total ou parcial, do conhecimento à experiência direta que os sentidos recebem.

O empirismo é um dos mais variados pontos de vista da epistemologia¹, a filosofia da ciência, e pode ser descrito como uma ênfase do papel da experiência na formação de ideias e/ou tradições.

O termo “empirismo” vem do grego έμπειρία que significa em latim experientia – experiência em português.

Sobre o se uso é importante frisar que o empirismo é uma parte fundamental do método científico que todas as hipóteses e teorias devem ser testadas com observações do mundo natural, em vez de ser apenas embasadas em um raciocínio a priori².

Bacon e Hobbes

Empirismo de Francis Bacon e de Thomas Hobbes é o método mais famoso. Portanto, influenciou toda uma geração de filósofos no Reino Unido no século XVII. Nesse sentido, John Locke é considerado, por muitos, o pai do empirismo britânico. Ele ficou conhecido em oposição ao racionalismo, que predominava na maior parte da Europa continental.

Locke

Locke escreve em seu livro “Ensaio Sobre o Entendimento Humano” sobre como as pessoas são semelhantes a uma folha em branco, onde a experiência é a responsável por gravar as ideias – a famosa teoria da tabula rasa³. A partir disso, John Locke distingue dois tipos de ideia: as ideias simples, que não admitem distinções – como amarelo ou duro – e as ideias complexas, que associam ideias simples, como o ouro, que apresenta cor amarelada e textura dura.. Está formado um conceito um tanto abstrato de substância material.

Berkeley

Após isso, George Berkeley começa a desenvolver a ideia de empirismo de John Locke, mas diferente deste, Berkeley afirma que uma substancia material não pode ser conhecida em si mesma. O conhecido aqui são as qualidades reveladas no processo perceptivo.

“ser é ser percebido”.


— George Berkeley

Berkeley também postula uma existência de Deus, pois assim poderia fugir do subjetivismo individualista. Apenas Deus poderia acessar o conhecimento total do mundo, e aqui o pensamento humano cria o idealismo subjetivo.

Hume

Por fim, David Hume, filósofo escocês, identifica dois tipos de conhecimento: matérias de fato e relação de ideias. Segundo ele, o primeiro relaciona-se com a percepção imediata e ele o considera a única forma verdadeira de conhecimento.. Por outro lado, a relação de ideias refere-se a uma conexão entre duas ideias presentes em nossa mente que, a partir da experiência, nos levam a concluir outra coisa. Hume argumenta que, em essência, só temos conhecimento do que percebemos imediatamente. Assim, ele rejeitou a ideia de causalidade. Para ele, portanto, sem o uso de “raciocínios demonstrativos” que comprovem a existência de causas necessárias (“leis gerais”), tudo que se baseia meramente na experiência para concluir sobre essas causas acaba sendo apenas uma dedução humana. Dessa forma, isso não constitui um conhecimento verdadeiro, mas sim um simples costume ou hábito.

Conclusão

Claro que o empirismo não é uma verdade absoluta, racionalistas debateram por anos e criaram batalhas filosóficas a respeito. Foi só depois de um tempo que Immanuel Kant chegou para iluminar o caminho, apresentando a ideia de criticismo, que será tema do próximo artigo.

Deixo aqui uma frase de Kant sobre a razão:

“A razão é, sem dúvida, um princípio ativo que não deve tomar nada emprestado da autoridade alheia e, em se tratando de seu uso puro, nem sequer da experiência. A indolência faz, porém, que um número muito grande de homens prefira seguir as pegadas de outrem ao invés de empenhar as forças da própria inteligência. Homens desse jaez só podem se tornar sempre cópias de outros, e se todos fossem dessa espécie, o mundo permaneceria eternamente em um só e mesmo lugar. É, por isso, de alta necessidade e importância que a juventude não se mantenha, como costuma ocorrer, a imitar pura e simplesmente.”

Glossário

¹ Relativo à epistemologia, à teoria do conhecimento cujo objeto de análise é a relação entre o sujeito, ser pensante, e o objeto, ser inerte; epistêmica.

² afirmado ou estabelecido sem verificação; pressuposto.

³ ardósia em branco, ou folha em branco.

4 é o grupo de filosofias metafísicas. Essas filosofias afirmam que a realidade, ou realidade como os humanos podem conhecê-la, é fundamentalmente mental. A realidade pode ser mentalmente construída ou imaterial.

2 comentários sobre “Entendendo o Empirismo: Da Experiência ao Conhecimento

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