Os anos 60 foram consideravelmente o auge do terror nos cinemas, na sequência da década, surgiram filmes cult com grandíssimas atuações de atrizes e atores, juntamente com filmes de grande repercussão, assim se tornando clássicos no mundo todo. Neste período, o terror veio ganhando engajamento do público com seus filmes e, inconsequentemente, surgiram subgêneros que até então eram desconhecidos aos diretores e até mesmo para nós telespectadores, assim se deu origem ao HAGSPLOITATION. Histórias de horror protagonizadas por mulheres mais velhas, que acabam perdendo sua sanidade mental e que se tornam assassinas.

As faces do terror.
Durante alguns anos, o subgênero era uma febre, e com isso se deu vida a bons filmes dentro cinema, arrecadando muitos olhares e interesses do público. O filme “mãe” disso tudo é O que terá acontecido a Baby Jane?, dirigido por Robert Aldrich em 1962). O nome Hagsploitation vem da combinação do termo pejorativo em inglês (hag – velhas e feias) e o termo (exploitation – exploração). Os filmes visivelmente mostravam a exploração de mulheres mais velhas para fazer longas mais apelativos dentro do cinema, muitos filmes não escondiam isso e muitos filmes parecidos foram lançados em sequência, mostrando ainda mais esse subgênero, mas o que fazia esses filmes serem considerados um hagsploitation?
O elemento principal disso tudo era basicamente ter atrizes de meia idade ou mais velhas e, além disso, elas precisavam ser loucas, assim mostrando a perca de sanidade mental e demonstrando serem assassinas dentro dos filmes. O subgênero tinha dentro dele também, outros elementos de roteiro parecidos, sendo comum que as personagens fossem obcecadas pelos seus passados, presas aos seus dias de glória e, muitas vezes, escondiam segredos que geravam reviravoltas durante o período do filme.

Bette Davis em seu papel como Jane Hudson (O que terá acontecido a Baby Jane – 1962).
O subgênero também serviu para mostrar o preconceito existente dentro de Hollywood, onde mostravam que as mulheres mais velhas não tinham mais visibilidade dentro do cinema e não chamavam mais atenção do público. Muitas das atrizes, em sua época de juventude, eram atrizes premiadas e que depois se submeteram a fazer papéis de mulheres velhas, assassinas e malucas, justamente para se manterem em alta no mundo do cinema e dentro de Hollywood. Grande parte das atrizes que até então eram esquecidas, conseguiram voltar a fazer filmes, conseguindo se manter lá dentro.
Mais tarde, muitas das atrizes disseram que só aceitaram esses trabalhos não só por precisarem do dinheiro mas também pela grande falta de trabalhos. Com o grande reconhecimento que tudo isso teve, depois disso era difícil negar um papel como esse, o sucesso foi tanto que muitas atrizes aceitavam esses trabalhos quando eram oferecidos, pois o dinheiro era certeiro.

Fanatismo Macabro – 1965
Os anos se passaram e o hagsploitation foi sendo esquecido também, o subgênero serviu para nos mostrar como a empresa cinematográfica era ou é machista, onde as atrizes que não eram mais bonitas e atraentes para os homens executivos, se “rebaixavam” com esses papéis onde mostravam ser velhas e loucas.
Pelo lado positivo, as atrizes se mantiveram dentro do seu amado cinema, assim não caindo no esquecimento, mesmo o subgênero as ofendendo e diminuindo. Isso nos mostra a força de vontade e desejo em se manter em atividade após certa idade, e também como precisamos observar mais a cada dia esses rótulos machistas e discriminatórios dentro do mundo do cinema.

Calma… Calma, doce Charlotte – 1964
Em sequência deixo grandes e ótimos exemplos de filmes, onde tal subgênero é o marco dos longas:
- What Ever Happened to Baby Jane? – 1962 ; dirigido por Robert Aldrich
(O que terá acontecido a Baby Jane?)
- Strait-Jacket – 1964 ; dirigido por William Castle
(Almas Mortas)
- Hush…Hush, Sweet Charlotte – 1964 ; dirigido por Robert Aldrich
(Calma… Calma, doce Charlotte)
- What Ever Happened to Aunt Alice? – 1969 ; dirigido por Lee H. Katzin
(O que terá acontecido com a tia Alice?)
- What’s the Matter with Helen? – 1971 ; dirigido por Curtis Harrington
(Qual o problema com Helen?)
- Whoever Slew Auntie Roo? – 1972 ; dirigido por Curtis Harrington
(Fábula Macabra)
- The Anniversary – 1968 ; dirigido por Roy Ward Baker
(O aniversário)
- The Nanny – 1965 ; dirigido por Seth Holt
(Nas garras do ódio)
- Fanatic – 1965 ; dirigido por Silvio Narizzano
(Fanatismo macabro)