Nos bastidores: Joan e Bette.

Quando pensamos em Hollywood, logo imaginamos as grandes estrelas de cinema, seus grandiosos diretores, cenários e tecnologia não é mesmo? Mas já pararam para pensar como deve ser a relação entre todos os envolvidos dos longa-metragens? Hoje trago mais um artigo sobre cinema mas, desta vez, focando numa rivalidade ou se não a maior rivalidade dentro do cinema hollywoodiano, dentro desse contexto, apresento a vocês: Joan e Bette.

Bette Davis e Joan Crawford

Joan Crawford, foi uma atriz americana de cinema e televisão, nascida em 23 de março de 1904. Crawford começou sua carreira como dançarina viajando pelos Estados Unidos com suas companhias teatrais antes de estrear como corista na Broadway. No ano de 1925, Joan assinou um contrato com o estúdio norte-americano Metro-Goldwyn-Mayer e assim começou sua carreira de atriz em filmes mudos. Após uma grande transição para o cinema falado em 1930, a fama de Crawford começou a ganhar grande destaque com o público feminino. Os seus filmes eram bem recebidos pelo público da época da “Grande Depressão” (Grande Depressão, também conhecida como Crise de 1929). Ela se tornou uma das estrelas mais proeminentes de Hollywood e uma das mulheres mais bem pagas dos Estados Unidos.

Joan Crawford

Bette Davis, foi uma atriz norte-americana de cinema, televisão e teatro, nascida em 5 de abril de 1908. Bette era conhecida por seus papéis de personagens antipáticos, era venerada por seus papéis em gêneros como melodramas, filmes da época e comédias, embora seus maiores sucessos tenham acontecido nos gêneros de romances dramáticos. Após Davis trabalhar na Broadway, ela se mudou para Hollywood em 1930, onde não obteve muito sucesso em suas apresentações da Universal Studios, assim sendo contratada pela então Warner Bros. Com seu estilo único, sua voz distinta e seu amado cigarro em mãos, contribuíram para a construção de uma imagem muito imitada e satirizada. 

Bette Davis.

Em um breve resumo sobre essas duas grandes atrizes, eu entro com o foco das suas rivalidades, o início desta confusão toda iniciou-se em 1933. Neste ano, Bette estava estrelando seu filme que na época seria de grande arraso e com uma grande visualização no mundo do cinema, o nome do filme é (Ex Lady – 1933). Até os jornais da época estampavam a capa do filme para gerar mais lucros e visibilidade para os atores e diretores do longa, mas como nem tudo são flores, neste mesmo ano a atriz Joan Crawford anunciou seu término com seu até então marido, gerando altíssima repercussão todos os jornais e canais de TV. Começaram a anunciar este término da Joan mais do que anunciar o filme ‘’Ex Lady’’ da Bette. Davis na época ficou extremamente possessa e seu tão aclamado filme foi por água abaixo. 

Ex Lady – 1933

A continuação disso tudo vem em 1935, quando Bette começou a trabalhar com o ator Franchot Tone que em seguida começou a se apaixonar por ele, criando expectativas de ter alguma relação com o ator. Mas, tempos depois, o mesmo apareceu namorando logo a nossa querida Joan Crawford, acredite se quiser meus amigos (a famosa ‘’talaricagem’’ sempre existiu). Em sequência, Bette Davis publicamente anunciou que odiava a Joan, gerando ainda mais ódio na atriz.

Atrizes Bette Davis e Joan Crawford com o ator Franchot Tone

Não abaixando a cabeça, Bette Davis continuou seus trabalhos e alcançou o Oscar em 1936 com o filme Dangerous. Nos próximos anos, Davis estava no auge da Warner fazendo seus filmes com grandes atuações, Joan por outro lado, não obtendo grandes sucessos, estava apenas fazendo pequenos filmes e de olhos bem abertos nos passos de Bette. Não satisfeita com o seu contrato na MGM, a atriz Joan Crawford migrou-se também para a aclamada Warner Bros, e em 1945 foi oferecido para Bette um papel para o filme ‘’Mildred Pierce’’, onde ela não se sentiu confortável para atuar e não gostou do papel estabelecido. Com Bette recusando esse papel, podemos adivinhar quem aceitou faze-lo não é? Sim, Joan Crawford aceitou o papel e ganhou nada mais, nada menos que o Oscar por esse filme. Na época, uma não podia ouvir o nome da outra, senão era briga na certa. 

Conforme os filmes eram sendo oferecidos para as atrizes, enquanto uma recusava a proposta, a outra aceitava, aumentando ainda mais a rivalidade entre as duas. Na década de 50, com ambas mais maduras, elas perderam o grande foco de Hollywood, assim atuando em menos produções e recebendo menos propostas dos diretores para atuar em suas longas, Hollywood estava dando mais atenções a atrizes mais jovens e mirins, pois chamava muito mais atenção do público. Na década de 60, Joan estava em busca de uma nova história onde ela pudesse ser a protagonista, foi quando ela se deparou com o livro do autor Henry Farrell cujo o nome do livro era ‘’ O que terá acontecido a Baby Jane?’’. Foi quando ela se reuniu com o diretor de cinema Robert Aldrich e ela mesmo disse para ele que queria trabalhar ao lado de, pasmem vocês ou não, Bette Davis. Existem várias teorias sobre essa parceria, e o por quê delas trabalharem juntas sendo que ambas se odiavam. Mas isso deu muita visibilidade para o filme, pois todos sabiam da briga das duas atrizes, até o diretor do filme adorou a ideia. 

O Que Terá Acontecido a Baby Jane? – 1962

No filme ‘’O que terá acontecido a Baby Jane?” onde a atriz Joan atuou como Blanche Hudson e a Bette atuou como Jane Hudson, as atrizes faziam papéis de irmãs. Jane era uma estrela infantil e com grande fama na época, por outro lado, Blanche quando pequena não tinha sucesso algum, mas pouco tempo depois conseguiu fazer o seu nome dentro do cinema se tornando muito famosa. Muitos anos depois, acontece um acidente entre elas que as obrigam a morarem juntas em uma mansão totalmente isolada, onde elas mantêm uma relação doentia de dependência, inveja, rancor e culpa. 

Blanche Hudson e Jane Hudson

Em teoria, tinha tudo para dar certo a relação das atrizes, mas na prática não era bem assim. As atrizes não se batiam e quase sempre discordavam das ideias uma da outra. Dentre todas as histórias dos bastidores do filme, uma das mais famosa é sobre as máquinas de Pepsi e Coca-Cola, em que Joan espalhou várias e várias máquinas da Pepsi nos bastidores, onde ali todos poderiam beber e se refrescar durante as produções. Não contente com isso, Bette, na rivalidade, adquiriu uma máquina só para ela da Coca-Cola, e disse que não beberia de forma alguma a bebida da rival. E para vocês, qual a melhor bebida? 

Um curioso fato dos bastidores também, é sobre os pontos que a atriz Joan Crawford teve que fazer, em uma das cenas as atrizes estão ali em uma briga onde a Joan está no chão impossibilitada de qualquer ação, e nisso o papel de Davis era atingir a Crawford com um golpe na cabeça, que até então era pra ser tudo de mentirinha, mas não foi bem isso o que aconteceu, o golpe acabou passando dos limites e assim levando a esse acidente à atriz Joan Crawford. Tempos depois ainda se perguntando se aquele golpe foi sem querer, Crawford decidiu fazer a sua pequena vingança. Em uma cena especifica do filme, Jane tem que puxar Blanche pelo braço onde a mesma estava desmaiada no chão, nisso a ‘’vigarice’’ de Joan foi a seguinte: Joan por de baixo do vestido usado colocou alguns pesos para justamente ficar mais pesada. Bette teve que refazer essa cena várias vezes e em muitas delas por pedido de Joan, pois ela não estava satisfeita com algumas coisas e ela ainda errava por querer, só pra ver o esforço da sua rival que inclusive lesionou a suas costas. 

O filme com todas as suas intrigas foi lançado, e com as grandes atuações de Joan e Bette o filme foi um sucesso em 1962 gerando altíssimos lucros na época. As atrizes, após o filme, conseguiram se reerguer e voltar a ativa nos cinemas e atuando em grandes outras produções. Com a atuação perfeita no filme, Bette Davis foi candidata ao Oscar na época e a atriz Joan Crawford ficou de fora da lista dos indicados, e com total motivo, Joan ficou extremamente furiosa, pois a ideia do filme até então era dela. Com o sangue fervendo, Crawford não deixou barato tudo isso não, ela em raiva ligou para todas as outras atrizes indicadas ao Oscar na época e disse que quem não fosse à premiação, ela poderia ir receber o prêmio pela pessoa, muito gentil da parte dela, não? Com tudo acontecendo, nada poderia ser diferente, a premiada daquela noite foi a atriz Anne Bancroft com atuação no filme ‘’O milagre de Anne Sullivan – 1962’’. A atriz não compareceu à cerimonia naquela noite e quem mesmo tinha se proposto a receber o Oscar caso alguém faltasse? Isso mesmo, Joan subiu as escadas e recebeu o premio para Anne, e para piorar, durante o trajeto Joan disse ‘’Com licença, mas eu tenho um Oscar para receber’’. Obviamente se referindo à Bette Davis que não conseguiu ganhar.

Joan Crawford na cerimônia do Oscar.

Em 1964, o diretor Robert Aldrich estava com um projeto com a atriz Bette Davis, mais um suspense em específico. Na época, eles tiveram a ideia de chamar Joan Crawford para fazer parte do elenco, pois se deu certo uma vez, pode dar de novo, mas não rolou! Joan não satisfeita com o papel, não gostou das cenas e gerou muita confusão no set de gravações, assim se desligando do filme que seria lançado. O filme era “Com a maldade na alma” e assim o filme foi estrelado por Bette Davis e Olivia de Havilland.

Desde então Joan e Bette nunca mais trabalharam juntas, ambas seguiram suas vidas estrelando seus filmes e carregando seus nomes, Joan Crawford morreu aos 73 anos, em 10 de maio de 1977 devido a um câncer no fígado, nisso jornalistas foram perguntar à Bette o que ela estava sentindo sobre a morte da companheira de trabalho e se ela tinha algo a dizer sobre o fato trágico, e Bette disse “Você não deve nunca dizer coisas ruins sobre os mortos, apenas dizer coisas boas. Joan Crawford está morta. Que bom!” E aos 81 anos, Bette veio também a falecer em 6 de outubro de 1989, devido a um câncer de mama. 

Como crédito, deixo a vocês algumas curiosidades sobre as atrizes. 

Bette Davis  

Casamentos 

A atriz se casou três vezes ao longo da sua vida: 

  • Harmon Nelson foi seu primeiro marido e em entrevista a atriz diz que se casou virgem, eles foram casados entre 1932 e 1938. 
  • Arthur Farnsworth foi seu segundo marido. O casamento teve início em 1940 e acabou tragicamente com o falecimento precoce dele em 1943. 
  • A atriz casou-se com William Grant Sherry em 1945. Com ele teve sua única filha biológica: Barbara, conhecida como BD. O casal separou-se em 1950. 

Reconhecimento 

  • A atriz está na lista das 10 maiores estrelas de todos os tempos pela Entertainment Weekly. 

Durante a Guerra 

Em uma parceria com John Garfield, Davis fundou a Hollywood Canteen, para gerar fundos para as tropas norte-americanas durante a 2ª Guerra Mundial, grandes nomes ajudaram Bette neste projeto. 

Sempre exigente 

Bette sempre foi reconhecida por suas exigências em todos os seus filmes, para muitos ela era arrogante nos bastidores, mas nunca antiprofissional. Bette, em um dos seus papéis, não gostou da maquiagem feita para sua personagem e em uma das cenas de “Marked Woman – 1937”, a personagem aparece espancada. Bette contratou seu médico particular para que ele fizesse um curativo verdadeiro para parecer mais real tudo aquilo. Bette nunca se importou em levar o título de “Diva”, o seu foco era sempre em atuar e fazer papéis cada vez melhores. 

Oscars 

Bette recebeu ao todo 11 indicações ao Oscar. Foi vencedora em duas ocasiões: 

Dangerous (1935) e Jezebel (1938) 

Calçada da Fama 

Bette Davis tem duas estrelas na calçada da fama, uma pelo seu trabalho no cinema e outro pelo trabalho na televisão. 

Últimas décadas 

Bette descreveu suas últimas três décadas como um período conturbado, pois ela se sentia muito sozinha e dizia que a velhice era assustadora. Segundo ela, a velhice era a prova que o inferno existe. 

Joan Crawford

Vida sexual conturbada 

Em sua biografia, afirmou suas relações sexuais com seu padrasto aos 11 anos de idade. Segundo Joan, ela não considerava aquilo um estupro, mas sim, um ato afetivo e consensual, a própria ainda afirmava que gostava de sexo de uma maneira inapropriada para as mulheres da época. 

Casamentos 

A atriz se casou quatro vezes em sua vida: 

  • Seu primeiro marido foi, Douglas Fairbanks Jr. Foram casados entre 1929 e 1933. 
  • Seu segundo casamento foi com o ator Franchot Tone, entre 1935 e 1939. 
  • Em seu terceiro casamento a atriz se casou com Phillip Terry entre 1942 e 1946.
  • Seu último marido foi Alfred Steele e foram casados entre 1955 e 1959. 

Bissexualidade 

Assumidamente bissexual, a atriz  teve casos com diversas personalidades da época, entre elas: Clarke Gable e até mesmo Marilyn Monroe. 

Relacionamentos com os filhos 

Segundo sua filha Christina, Joan era uma mulher bastante dificil de lidar e que maltratava seus outros irmãos. Joan sofria de problemas com o álcool, Christina ainda afirmava que a mãe só adotou os filhos apenas para melhorar sua imagem para a mídia, já que ela odiava todos. 

Controversas 

Os outros irmãos de Christina, Christopher e as gêmeas Cathy e Cindy, negaram todas as alegações de abuso. 

  • Contrapardida – Alguns amigos de Crawford como Betty Hutton, Hellen Hayes e o diretor Vicent Sherman (dirigiu três filmes estrelados por ela) já presenciaram os filhos sendo maltratados por ela. 

Para aqueles que gostaram desse artigo sobre as vidas das atrizes e suas intrigas, em 2017 foi lançada a série de TV sobre os bastidores e vidas de Joan Crawford e Bette Davis, o nome da série é Feud. 

Este foi mais um artigo sobre as histórias do cinema, dentre muitos fatos, trouxe alguns dos principais a vocês, nem tudo é o que parece ser não é mesmo? Por trás das câmeras os filmes escondem muitas coisas, e talvez algumas nunca vamos descobrir, mas por todo esse caos que é o mundo do cinema, conseguimos ver até grandes obras fazendo sucesso. Bom, o cinema sempre será uma caixinha de surpresas. 

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