A influência das músicas no nosso cinema.

A música em si é um dos nossos primórdios de elementos culturais. Segundo a musicologia histórica, a música existe desde 60.000 anos a.C., existindo vestígios que, desde a Pré-história (2,5 milhões a.C. – 1000 d.C.), já se produzia música, provavelmente como consequência da observação dos sons da natureza. A música pode nos representar de infinitas maneiras, desde casos mais simples, como também algo mais pessoal.

Dentre muitos anos, a música sempre esteve presente em muitos momentos das nossas vidas e deixando marcas significantes por onde elas soam, desde muito cedo nos surpreendemos com algumas músicas que nem imaginamos o que elas podem nos passar e representar, hoje venho com um artigo sobre esse assunto, juntando nosso querido e aclamado cinema com suas trilhas sonoras deslumbrantes!!

Stanley Kubrick:  cineasta, roteirista, produtor e fotógrafo estadunidense

De início devemos entender sua importância dentro do cinema. O cinema e suas trilhas sonoras devem ser sempre melhores amigos e se complementarem. Um dos fatores mais importantes nas trilhas sonoras é a qualidade da música, e o responsável por isso são os nossos compositores, tendo suas qualidades sonoras. O compositor consegue elevar a cena e o filme em outro estágio de animação e prender ainda mais os telespectadores para as telas. As músicas nos deixam ainda mais entusiasmados para assistir os filmes e, assim, tendo bem mais das nossas atenções. A música consegue nos prender dentro daquele momento e pode nos proporcionar até a sensação que os atores sentem no set de filmagem — a importância da música é exatamente essa, nos proporcionar momentos e sensações a cada filme ou trecho.

No início do cinema mudo, que ocorreu entre 1894 e 1920, tínhamos as trilhas sonoras baseadas no mundo pianista (ou até mesmo orquestras) tocando simultaneamente com os filmes, mas como distinguir as músicas para os filmes? Segundo regras gerais do cinema, podemos ter duas opções: uma música original (que seria no caso apenas o instrumental) composta originalmente para o filme, a segunda seria uma trilha completa com músicas conhecidas por todos. O processo de escolha passa primeiramente pelo editor musical sendo ele que vai receber sugestões do diretor e, em contrapartida, apresentar músicas e/ou referências para um compositor. Porém, nem sempre o editor vai estar presente na produção do filme, temos o exemplo do grandíssimo produtor de cinema Quentin Tarantino que tem uma base musical esplendida com grandes contatos do mundo da música, temos nisso um dos grandes sucessos dele que é ‘’Kill Bill’’ lançado em 2004, cuja trilha sonora é uma das mais marcantes dentro do cinema.

Cena do filme Kill Bill.

Kill Bill, produzido por Lawrence Bender – 2004

A escolha da trilha sonora diz muito sobre o filme e a personalidade do diretor, podemos usar Alfred Hitchcock como um exemplo claro de como a característica de cada diretor pode influenciar nos filmes, Alfred sempre gostou do suspense e se consagrou o rei dos filmes de suspense em anos de atuação, e por muitos fãs é considerado até hoje. Ele, com suas trilhas enigmáticas, trazia o suspense real e o horror pra dentro das telas e nos proporcionava tudo isso fora delas; ele sem dúvidas gostava de trazer enormes sensações para todos.

Foto em preto e branco do diretor norte-americano Alfred Hitchcock com um charuto na boca e uma ave sobre o charuto.

Alfred Hitchcock, diretor e produtor cinematográfico britânico

Tivemos muitas músicas marcantes dentro do cinema que alavancaram muito mais os filmes, aqueles que já eram nascidos nos anos 70 certamente já devem ter assistido muitos clássicos que tiveram suas músicas tocando em todos os canais de TV e estações de rádio, podemos citar alguns como por exemplo:

Os caças fantasmas (Ghostbusters) – 1984: 

Direção de Ivan Reitman e canção dirigida por Elmer Bernstein, chegou a ganhar o 1º lugar na Billboard e a ser indicada ao Oscar de melhor canção original. O clip também ficou em primeiro lugar na MTV. A grande sacada é que a música segue o mesmo estilo do filme, ou seja, engraçada e com toques de terror. 

De volta para o futuro (Back to the future) – 1985: 

Direção de Robert Zemeckis e canção pela banda Huey Lewis and The News, a banda lançou duas músicas para o filme que foram elas, Back In Time que fazia menção ao tema do filme, mas foi a The Power of love que, apesar de não ter uma letra diretamente ligada ao tema do filme, acabou sendo o grande hit de sucesso mundial entre 1985 e 1986. De volta para o futuro nos trouxe também o clássico dos anos 50, Johnny B. Goode. 

Top Gun – Ases Indomáveis (Top Gun) – 1986: 

Direção de Tony Scott e canção Take My Breath Away da banda Berlin. A trilha de Top Gun recebeu muitos prêmios, incluindo 4 Oscars, 1 Grammy e 1 Globo de Ouro. Take My Breath Away, se tornou um marco na música internacional. E a trilha também conta com dois grandes especialistas em criar músicas para filmes: Giorgio Moroder e Kenny Loggins. 

Clássicos não é mesmo?! E esses são apenas três de muitos exemplos que podemos citar aqui. Creio que muitos adoravam e adoram essas músicas, e aqueles que nunca ouviram essas músicas ou assistiram esses filmes, eu lhes recomendo, são incríveis. Afinal, cultura nunca é demais.

Carro fictício do filme De volta para o futuro.

De Volta Para o Futuro – 1985

No terror, minha principal área, podemos citar e comentar sobre algumas músicas e alguns diretores, acompanhem comigo alguns dos nomes:

Halloween – A noite do terror 1978: 

Direção de John Carpenter e música também feita por Carpenter. 

A música tema de Halloween foi um marco na franquia dos filmes e dos clássicos filmes de terror, vocês que já assistiram os filmes sabem do que estou falando, a maneira que foi produzida e colocada nos momentos perfeitos do filme nos mostra perfeitamente como uma simples trilha sonora pode nos deixar mais atentos a cada momento do filme, a música com seus arranjos e pianos macabros são capazes de demonstrar a total tensão dentro do filme do serial killer Michael Myers. 

O nevoeiro (The fog) – 1980: 

Direção de John Carpenter e música também feita por Carpenter. 

Outro clássico de John, com um baixo orçamento neste filme e totalmente independente temos uma música totalmente fria e sinistra, nesta obra temos Carpenter tocando piano que representa demais sobre a pequena cidade do filme na California que tem suas ruas tomadas por uma névoa macabra que surge após 100 anos de naufrágio em suas águas. John nunca erra em suas trilhas, e essa sem dúvidas é uma música deslumbrante. 

O exorcista (The Exorcist) 1973: 

Direção de William Friedkin e canção de Lalo Schifrin. 

Muitas pessoas em decorrer dos anos 70 certamente não dormiram muito bem ou não se sentiram muito bem após assistir à obra honrosa de “O exorcista”. A trilha sonora extremamente medonha com seus sons clássicos de piano deixou muitas pessoas com complicações na época, relatos dizem que muitas delas até vomitaram em decorrer da música ou perderam o sono não conseguindo tirar a música que grudava na mente, dentro de 40 anos, esse monstruoso filme foi único a ser nomeado ao Oscar no gênero, sucedido por apenas (Get Out – 2017). Sem dúvidas Lalo não economizou bizarrice nessa trilha, que para muitos é medonha e pra outros uma obra musical do terror clássico. 

Sexta Feira 13 (Friday the 13th) – 1980: 

Direção de Sean Cunningham e canção de Harry Manfredini. 

A música emblemática, porém simples, foi um marco também nos filmes da franquia quanto nos anos 80, todos que ouviam a simples sonoridade de Harry já podiam adivinhar de onde era a trilha, com junção do piano e do violino tivemos a clássica música do filme, com tons fantasmagóricos podemos ter a sensação de pânico e medo conforme ela reproduz nas longas. Harry também não poupou “mensagens subliminares” na sua obra, se pararem para ouvir com calma e clareza, podemos ouvir sonoridades baixas de “Ki ki – Ma ma” uma abreviação para “Kill Mama”, traduzindo, “Mate Mamãe”, um pedido do filho Jason para que sua mãe, Pamela, vingue sua morte. 

Cena do filme Hallowen.

Halloween (Michael Myers) 1978

Dentro do nosso cinema temos muitas referências, e podemos citar vários nomes e ficaríamos horas e horas falando sobre inúmeros sucessos, mas vim falar basicamente e de forma demonstrativa de como a música nos filmes podem nos trazer sensações enormes e bem representativas, temos inúmeros diretores, astros, atores e muitos outros aqui, mas podemos deixar isso para uma outra resenha, afinal, conteúdo bom nunca é demais. Mas deixo aqui alguns nomes de diretores dos quais vocês podem pesquisar e se aprofundar mais no assunto. 

°Alfred Hitchcock (13 de agosto de 1899 a 29 de abril de 1980) 

°Quentin Tarantino (27 de março de 1963 – 57 anos) 

°Stanley Kubrick (26 de julho de 1928 a 7 de março de 1999) 

°Jonh Carpenter (16 de janeiro de 1948 – 72 anos) 

°Richard Donner (24 de abril de 1930 – 90 anos) 

°George Lucas (14 de maio de 1944 – 76 anos) 

°J.J. Abrams (27 de junho de 1966 – 54 anos) 

Foto de quentin Tarantino em preto e branco, com ele segurando uma câmera antiga.

Quentin Tarantino: produtor, ator e diretor norte-americano

A música nos filmes criam emoções para nós que estamos assistindo, ela dentro das telas tem esse poder de nos trazer tudo que devemos sentir para entender a cena e entrar ainda mais de cabeça nos longas, sem elas não sentiríamos o que devíamos e nem iríamos entender muito bem o que está passando bem diante dos nossos olhos. Tenho uma frase perfeita de Harry Manfredini que diz ‘’Por trás de todo grande filme, há sempre uma grande trilha.’’

Sem elas sem dúvidas o cinema seria muito vago deixando a desejar muitas emoções as quais não podemos perder de forma alguma. 

Personagem Jason ao lado de uma pessoa.

Harry Manfredini, criador da música tema da franquia de Friday the 13th

Em “2001 – Uma Odisseia no Espaço” de 1968, tivemos a obra musical composta por György Ligeti, que por si só mostra como a música faz total diferença dentro do filme, com uma música impecável dessas, o filme se destacou muito e até hoje a música é conhecida mundialmente e usada em várias ocasiões, é até mesmo referências em outros filmes.

Cena do filme 2001 - Uma odisséia no espaço.

2001 – Uma Odisseia no Espaço de 1968

Isso serve para vermos o quão forte pode ser uma boa trilha sonora dentro do universo do cinema, o que seria do cinema sem essas músicas? Sem dúvidas seria muito sem graça não é mesmo? Com grandes referências a John Carpenter eu finalizo mais um artigo com uma frase perfeita voltada ao terror desse realizador que é: “O cinema de terror viverá para sempre (…) É o género mais resistente do cinema“. Carpenter disse isso em entrevista no Wizard World Philadelphia. E certamente será sempre o mais resistente, suas melodias vão viver para sempre. 

Foto em preto e branco do editor e compositor John Carpenter.

John Carpenter: produtor, editor e compositor de cinema estadunidense

O cinema viverá para sempre, e sem dúvidas as músicas jamais serão esquecidas.

Compartilhe seu conhecimento